Crianças do Mundo em Ruínas
Em Gaza, na Ucrânia, em Israel, na Síria,
Na Somália, no Iémen, e em tantos cantos esquecidos,
Não há dia nem noite.
Há dor, espanto e um uníssono e gutural clamor.
As crianças tombam aos vis ataques,
Vertendo sobre o ventre da “mater” sofrimento, sangue e lágrimas.
Estuprados da sua infância, persistem, a espaços, os pequenos.
Riem, brincam, jogam entre si,
Procuram o colo e abraço dos pais,
E do mesmo modo a comida, a água, o aconchego do frio.
São crianças, reflexos côncavos e convexos umas das outras,
Vítimas de guerras que as esmagam como pássaros de primavera abatidos.
Em Mariupol, Dnipro, Ascalão, Khan Yunis, e Mogadíscio,
São os mesmos olhos aterrorizados,
As mesmas lágrimas que brotam de uma fonte seca de infância.
E perante os olhares do mundo dito “civilizado”,
Os média mostram ora uma menina, Maria,
Que se esconde sob os escombros em Kyiv,
Ou Avigail, de seis anos, que perdeu a mãe em Netiv HaAsara,
Ou Ahmed, que carrega nos braços o seu irmão em Rafa.
Ora outra, Sofia, de apenas três anos,
Morta pelo impacto de um pacote de alimento,
A ajuda humanitária que, ironicamente, se transforma em arma mortal.
Entre os escombros do que era outrora lar,
Corpos estilhaçados pelas bombas e pela ganância,
Mais um menino desta tragédia humana, um anónimo em Donetsk,
Num leito improvisado, coberto de sangue,
Repete com insistência:
"Quero meu pai. Se ele morrer, quero morrer com ele.
No céu ele cuidará de mim."
Outros rostos emergem da dor:
Rashida, com 9 anos, atravessando os desertos somalis em busca de água.
Fatou, de mãos calejadas, sobrevivente na devastação de Bamako.
E Aliyah, que arrasta o seu irmão ferido pelos restos de Alepo,
Deixando rastros de sangue sob um sol abrasador.
Entre tanto horror, o mundo celebra os seus "finais felizes",
Mas por quanto tempo?
No meio de tanta desgraça, um ténue raio de sorte,
Dura apenas até o próximo estrondo de uma bomba.
Roubam a infância, os sonhos, a vida das crianças.
De Gaza a Donbass, de Ascalão a Mogadíscio,
Elas são espelhos do que somos,
Ou do que perdemos enquanto humanidade.
Malditos sejam aqueles que, em nome dos seus superiores interesses,
Economia, poder e territórios,
Destroem tudo à sua volta.
Malditos!
Estúpidos, iludidos e criminosos!
A vida é apenas um sopro,
Um instante fugaz na contagem do tempo do mundo.
M.C.Magno , 20 Janeiro 2025