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quinta-feira, 25 de julho de 2013

NAS ASAS DA MÚSICA















Imagem da obra " NAS ASAS DA MÚSICA" - acrílico s/tela 50x70x2cm - © armando magno 2013


O pintor ousa tocar o silêncio do infinito e dele
colhe os mais belos matizes de azul e além

O pintor ousa

E o silêncio ecoa no olhar da ave erecta na geografia
do leme, sobre a voluta, cativa do próprio encantamento

O pintor ousa

Soprar o sonho, e as pautas ganham alma
e o arco vida, no gesto das mãos da sua musa preferida

O pintor ousa

E do violino fluem acordes
quais pétalas encantadas. Aladas odes...

O pintor ousa

Todo ele Ser. Todo ele sendo, quimera alada se transformando
em cores, sons, traços, enlaces

E o pintor

Entra tela adentro e com suavidade eterna toca com emoção
a vida.

C.O.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Casa Sobre a Ponte: Leitura Inquieta



Observo Casa Sobre a Ponte, de Diego Rivera. Deixo que o olhar se demore, que a tela respire e fale antes que a razão se imponha. No corpo, ergue-se uma inquietude; a emoção, livre, desfaz as teias da racionalização. O olhar, já cativo, segue a claridade que se insinua para lá da lua escura, no ponto onde a casa encontra o rio. Essa lua, de súbito, transfigura-se em rosto de mulher submersa em silêncio, prisioneira entre reflexos comprimidos.

Ali — ou aqui, ou… — sufoca-me o peso do espaço e do tempo: paredes altas, janelas cerradas, um muro robusto. Coloco-me no lugar do artista e caminho por uma rua estreita, ladeada de fachadas gastas pelas horas que não regressam. À frente, outra ponte, como as de Veneza, mas sem saída. Não une margens: oferece apenas o instante e exige o olhar.

Um clarão mental convoca O Grito, de Munch. Levo as mãos à cabeça, abro os maxilares até ao limite e solto um grito surdo, encarnando a figura. Enquanto isso, o pintor verte pinceladas largas no muro à minha direita. A árvore, cúmplice do nosso frenesim, agita os ramos em gritos entrelaçados. “Enlouqueçamos juntos… ou libertemo-nos das raízes que nos prendem”, penso.

O instinto não confia na quietude das águas, nas cores quase quentes, no silêncio suspenso das janelas fechadas. Nem o reflexo do sol sobre o rio — que molda um corpo de mulher-animal sustentando entre os braços a circularidade do mundo — nem as buganvílias de cor de fogo que escalam a parede e extravasam o limite do quadro trazem paz ao cocriador.

Perante a obra, adivinho e recrio as emoções do pintor, refletindo-me nelas. Somos espelhos diante de realidades irreais, mas tangíveis. Partilhamos memórias e atravessamos as mesmas inquietações. A estagnação que brota da tela desassossega. Apenas a luz — para lá das paredes sombrias e do arco da ponte — fala de esperança: do regresso ao ventre materno, à casa como travessia, ao renascer. Num eterno retorno à promessa da luz.

                                                                                                                        C.Oliveira, 10-2011

Obra: Casa sobre a Ponte - Diego Rivera, ca. 1909. Óleo sobre tela. 147 x 120 cm. Museu Nacional de Arte, MUNAL - INBA, México DF. México.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

SONHOS

Ventos sem rumo, libertos
Forças sem muros
Sopro, sussurro, murmúrio
Em frente, sem barreiras
Sem fronteiras
Sonhos, ideais
Sonhos, reais, irreais
Sonhos, sonhos, fatais
Mar, Ar, Terra, Fogo
Força louca, louca...


C.O.
1973