Catharina
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segunda-feira, 7 de setembro de 2026
À AURORA GAIA
sábado, 14 de junho de 2025
Dancemos
E se o caos for inevitável, dancemos — em valsa lenta, girando como se os corpos soubessem um segredo antigo. Que a beleza do movimento desafie o colapso, e que cada passo, leve e livre, seja um hino à vida, mesmo quando tudo ao redor parecer ruir.
C.O.Magno
sexta-feira, 25 de abril de 2025
PORTAS DE ABRIL
PORTAS DE ABRIL
I
Abril…
Não é só mês —
É manhã que rompe o medo,
II
Foram portas que Abril abriu!
Portas de escolas,
III
Portas abertas à Liberdade!
IV
Abril abriu a porta da rua
E convidou a entrar
V
E nós?
Não deixar que se fechem
VI
Abril não termina —
Porque Abril é a porta do futuro…
terça-feira, 21 de janeiro de 2025
Crianças do Mundo em Ruínas
Em Gaza, na Ucrânia, em Israel, na Síria,
Na Somália, no Iémen, e em tantos cantos esquecidos,
Não há dia nem noite.
Há dor, espanto e um uníssono e gutural clamor.
As crianças tombam aos vis ataques,
Vertendo sobre o ventre da “mater” sofrimento, sangue e lágrimas.
Estuprados da sua infância, persistem, a espaços, os pequenos.
Riem, brincam, jogam entre si,
Procuram o colo e abraço dos pais,
E do mesmo modo a comida, a água, o aconchego do frio.
São crianças, reflexos côncavos e convexos umas das outras,
Vítimas de guerras que as esmagam como pássaros de primavera abatidos.
Em Mariupol, Dnipro, Ascalão, Khan Yunis, e Mogadíscio,
São os mesmos olhos aterrorizados,
As mesmas lágrimas que brotam de uma fonte seca de infância.
E perante os olhares do mundo dito “civilizado”,
Os média mostram ora uma menina, Maria,
Que se esconde sob os escombros em Kyiv,
Ou Avigail, de seis anos, que perdeu a mãe em Netiv HaAsara,
Ou Ahmed, que carrega nos braços o seu irmão em Rafa.
Ora outra, Sofia, de apenas três anos,
Morta pelo impacto de um pacote de alimento,
A ajuda humanitária que, ironicamente, se transforma em arma mortal.
Entre os escombros do que era outrora lar,
Corpos estilhaçados pelas bombas e pela ganância,
Mais um menino desta tragédia humana, um anónimo em Donetsk,
Num leito improvisado, coberto de sangue,
Repete com insistência:
"Quero meu pai. Se ele morrer, quero morrer com ele.
No céu ele cuidará de mim."
Outros rostos emergem da dor:
Rashida, com 9 anos, atravessando os desertos somalis em busca de água.
Fatou, de mãos calejadas, sobrevivente na devastação de Bamako.
E Aliyah, que arrasta o seu irmão ferido pelos restos de Alepo,
Deixando rastros de sangue sob um sol abrasador.
Entre tanto horror, o mundo celebra os seus "finais felizes",
Mas por quanto tempo?
No meio de tanta desgraça, um ténue raio de sorte,
Dura apenas até o próximo estrondo de uma bomba.
Roubam a infância, os sonhos, a vida das crianças.
De Gaza a Donbass, de Ascalão a Mogadíscio,
Elas são espelhos do que somos,
Ou do que perdemos enquanto humanidade.
Malditos sejam aqueles que, em nome dos seus superiores interesses,
Economia, poder e territórios,
Destroem tudo à sua volta.
Malditos!
Estúpidos, iludidos e criminosos!
A vida é apenas um sopro,
Um instante fugaz na contagem do tempo do mundo.
M.C.Magno , 20 Janeiro 2025
sábado, 24 de junho de 2017
Nego-me à Morte!
domingo, 18 de junho de 2017
SÚPLICA
Impotente, assim me percebo,
Olhar perdido em chamas rubras, vorazes consumidoras,
Dor intensa, abraçando-me sem alarde.
Nesse olhar, para além do espanto carmesim,
Contemplo-te, agora reduzido a cinzas,
Espalhadas entre os domínios de Hefesto e as sombras de Hipnos.
Gaia, em súplicas, rogo por teu renascer,
Num tempo inexplorado, livre de rastros e memórias,
Desse solo trágico, dessa narrativa recorrente.



